Há sensivelmente 1 mês, espalhava-se pelo mundo a triste notícia da morte de Robin Williams. O mais chocante para muitos foi saber que morreu por suicídio. Para mim, romântica inveterada, foi difícil conceber que John Keating - o professor de literatura que mais venerei - tenha escolhido uma forma tão pouco poética de pôr fim à vida. Muitos dirão que Keating é apenas uma personagem inventada e que não teve influência na vida dos que viram o filme mas será mesmo assim ? A história da literatura tem mostrado o poder que pode ter uma personagem. Vejam como exemplo Anna Kerenina de Tolstoi que se tornou num ícone de beleza e de amor incondicional e o Jovem Werther de J. Goethe que provocou uma onda de suicídios na Europa devido à poderosa mensagem de desespero romântico que veiculou aos leitores. Por sinal estas mesmas personagens - Anna Kerenina e o Jovem Werther- cometeram suicídio.
Voltando a Robin Williams, como ele, muitos outros ilustres de carne e osso também cometeram suicídio. Hemingway, por exemplo, disparou um tiro cabeça, Virgínia Woolf afogou-se num rio com os bolsos cheios de pedras, Mário de Sá Carneiro envenenou-se e até Sêneca se suicidou (mesmo que por obrigação) cortando as veias.
Bem, mas este post não é uma apologia ao suicídio. É apenas um convite à reflexão sobre um tema sensível que misterosamente toca uma classe intelectual superior à média. Sobre este mesmo tema podem encontrar mais de 700 referências biográficas no polêmico e inédito Dicionário de Suicidas Ilustres, organizado pelo escritor brasileiro J. Toledo. A obra visa resgatar personagens históricos ou ficcionais que, de um modo ou de outro, optaram pela saída de emergência; buscar a morte por suas próprias mãos.
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