Despedida
Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.
Cecília Meireles

Não fique por aqui! Parece que necessitava de um "tu" para que o seu "eu" florisse! Eu sei! Mas olhe, agora é primavera! Renasça! Apaixone-se pela vida e pelas mil surpresas que ela nos dá em cada dia. De certo modo somos sempre sós e habitados , acompanhados e sós e só por momentos o tempo parece parar e conseguimos então aí um momento de comunhão com as essências. Pense em renascer porque é , de novo, primavera!
ResponderEliminarGrata por estas simpáticas palavras, caro(a) anónimo(a)!
EliminarUm abraço.