"Uma vez que não podemos ser universais e saber tudo quanto se pode saber acerca de tudo, é preciso saber-se um pouco de tudo, pois é muito melhor saber-se alguma coisa de tudo do que saber-se tudo apenas de uma coisa." - Blaise Pascal

3 de dezembro de 2014

Despedida

 
  
Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)

Quero solidão.
 
Cecília Meireles

2 comentários:

  1. Não fique por aqui! Parece que necessitava de um "tu" para que o seu "eu" florisse! Eu sei! Mas olhe, agora é primavera! Renasça! Apaixone-se pela vida e pelas mil surpresas que ela nos dá em cada dia. De certo modo somos sempre sós e habitados , acompanhados e sós e só por momentos o tempo parece parar e conseguimos então aí um momento de comunhão com as essências. Pense em renascer porque é , de novo, primavera!

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    1. Grata por estas simpáticas palavras, caro(a) anónimo(a)!
      Um abraço.

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